Quem sou eu

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Sou alguém assim, quase sem definição, nem grande nem pequena, sou do tamanho certo, a minha cor é da cor que o dia me pinta...

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Árvores (escrito em 24/01/2011)

Na estrada, vejo poças d'água. Na estrada vejo árvores, vejo uma ávore torta que F. dizia ser dele, mas já nem sei se é dele ou se é minha, todos os dias passo e me encontro com ela, olho para ela e me lembro dele, olho para ela e penso nele. Todos os dias olho para ela por ele. Uma casa então passa por mim... e as plantas, as chuvas e as plantações. Algo me embebeda na estrada. Algo me transforma. Algo me faz luz apagada que só eu vejo.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Ela... G. (escrito em 24/01/2011)

Quem é ela? Preciso descobrir. Ela faz parte de mim e eu dela. Somos parecidas. Tragamos o mesmo fumo. Somos a mesma cinza, no mesmo cinzeiro. Somos a mesma vida em épocas diferentes. Temos os mesmos dentes, cabelos, doenças. Somos muito parecidas, porém, infinitamente diferentes. Temos a mesma energia. seja ela boa ou ruim. Somos amargas, azedas, de um doce quase impercetível. Somos ela e eu em corpos diferentes, temos sonhos e mundos iguais e corpos distintos. Somos ela e eu e nada mais.
Ela parece rocha, porém, nada mais é que um simples e belo diamante... frágil como eu. Só que pra vê-la, é preciso descascar... cuidadosamente para não ferir!

domingo, 20 de março de 2011

Cabelos Brancos (Elias. escrito em 21/01/2011)

Sou boa, sou boba, sou má, engraçada. Às vezes sábia e quase sempre muito burra. Eternamente ignorante e sem resposta. Muito confusa sempre. Vingança é algo que sinto no sangue, no pensamento às vezes, mas acaba todas as vezes na coragem, na boca, nas mãos... sou boba ou não. O tempo, a idade, a minha imagem me confunde cada vez mais, ela é turva e o tempo é brilhante e inexorável, diria até imperdoável, cruel... pronto, está dito, escrito, pensado. De que vale mentir se não conseguimos nos enganar a nós mesmos?! 
Desconheço os estranho ao meu redor e conheço-os melhor que imagino, todos têm a mesma cara, as mesmas marcas. Marcas do nordeste, do sol, da chuva ou falta dela, da sede, da fome... marcas de um povo que só esse povo tem. 
Sou jovem, preciso sonhar, mas tá difícil... é tempo de dor, ele se despede a cada dia, num adeus silencioso que só o silêncio sabe dizer, sabe mostrar. Seus olhos já não dizem mais nada além desse adeus mudo, cansado de uma vida muito bem vivida... de forma certa? Errada? Só ele e Deus sabem. Defeitos... quem não os tem? Cabelos brancos... esses, dizem muito, muito mais do que palavras ditas, escritas, desenhadas podem dizer... eu? Eu sou apenas um pingo d'água que escorre numa face qualquer!